A palavra chave é Investimento

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Categoria: Artigos
Criado em Quinta, 25 Julho 2013 Escrito por Lucas Amorim

Artigo do Marcos Elias:

O povo quer baixo endividamento público? O povo quer superávit primário? A resposta é um redundante “não estamos nem aí para isso”. Se emprestarmos ao povo uma alma econômica, diríamos que hoje nos incomodam a inflação alta e a falta de infra-estrutura. Obviamente nos incomodamos também com a inépcia e a corrupção generalizada, pública e privada, mas joguemos essas demandas em uma caixa política e social.



Como o Brasil cresceu nos últimos anos, até se tornar a quinta ou sexta maior potência mundial? De duas formas: 1) com a mágica de calcular seu PIB em dólares estando o dólar artificialmente baixo, na casa dos R$ 1,60/US$ (ou seja, accounting gimmicks, ou vendendo pedras com alto teor de ferro para chinês); 2) fazendo (literalmente) explodir o crédito para consumo, sendo que hoje estamos com mais de 40% da renda familiar comprometida com pagamento de dívidas, o que é bastante alto (lembremos que este número em 2005 era de 18%). Ou seja, o Brasil deu um jeitinho: dirty float e dívida para innumerate.

Pausa: em português temos a palavra “analfabeto”, certo? Todos sabem o que quer dizer (embora alguns entendam que saber escrever o nome tira o sujeito de tal miserável condição). Em inglês, temos duas palavras para analfabeto: o illiterate, que é o analfabeto das palavras escritas e o innumerate, que é o cara que é o analfabeto dos números. Se o sujeito não sabe somar frações (um terço + um terço, por exemplo) ou se não domina o conceito de percentual, ele é um “analfabeto dos números” em terras alhures. E se lá o indivíduo é “anarfa”, está impedido legalmente e moralmente de assinar qualquer contrato.

Esta pausa serve para construir a afirmação de que nos tornamos uma das potências econômicas emprestando dinheiro para analfabeto, para pessoas incapazes de entender o que assinavam ao contrair um empréstimo: isso é muito feio! Bancos, Governo e Luciano Huck: vocês vão pro inferno, nego! Parem com isso de dizer que 5% ao mês é bom se não o é em termos absolutos e se a platéia que lhes assistem não sabe o que são 5%. Ah, foi assim, vendendo isso, e assado, cozinhando para cima nosso PIB ao convertê-lo a R$ 1,60/US$, que “superamos” a Inglaterra. Que beleza!

Mas okay, e agora José? Como aplacaremos os ânimos dos mauricinhos e dos vândalos? Como a Dilma, ou qualquer outro político de carreira se reelege ou se elege na próxima eleição? Reformas. Reforma política. Já tratamos disso em textos pregressos e afirmamos que hoje a economia colombiana bomba por conta de uma forte agenda de reformas, ao melhor estilo FHC (ah, o FHC me disse que é candidato. Isso, candidato a Papa). Mas as reformas pavimentam o caminho para os investimentos. Essa é a última saída (à esquerda ou à direita) para o Brasil: crescer sob a égide do investimento.

Sou daqueles economistas formado pela tradicional escola de economia da Politécnica da USP, e protegido pelo meu CORECON/CREA afirmo-lhes (hesitante) que não há muitas formas de se crescer: ou se cresce roubando dinheiro do povo que gosta ou que precisa de eletrodoméstico (e explorando velho aposentado em crédito consignado) – e nisso já nos esgotamos – ou crescemos investindo (competentemente, e ilibadamente) em infra-estrutura.

O Governo e os empresários sabem disso: agora nos resta investir. Não que seja nossa vocação, longe disso, mas fazer o quê? Temos que fazê-lo. Ou isso, ou a insatisfação popular redundará em quebra-quebra e em guerra civil.

Mãos à obra, portanto.

Conta de padeiro: precisaremos de centenas de bilhões de dólares para investirmos. Eu diria que trilhão. Mas padeiro faz conta aproximada. De onde vem esse dinheiro? De um inevitável e inexorável endividamento público. O endividamento privado, esse eu não sei se agüenta adições marginais.

PS a este parágrafo: há 5 anos li um research report de um banco sangue azul americano dizendo que preferiria comprar ações da Petrobras do que da ExxonMobil por conta de 2 motivos: pelas enormes reservas nacionais e por ser a Petrobras a única major no mundo a conseguir expandir produção a um pace de 20% ao ano. Bom, a Petrobras failed miserably porque não conseguir por em pé engenharia para fazer este aumento de produção. Até conseguiu o dinheiro (endividando-se) mas não teve competência de engenharia. Assim como as empresas de Telecom, que se engargalaram por esse mesmo motivo e levaram um gancho da nossa Margareth Thatcher às avessas.

No final das contas, ao precisarmos investir, teremos que ressuscitar nossa engenharia e nossos engenheiros. Beleza, mas sou um trader e quero saber o que eu faço com esse blá blá blá.

Fazemos o seguinte:

Vamos comprar hoje todas as empresas em bolsa que se beneficiam do próximo boom de engenharia no país? Quase. Vamos comprar as empresas que consigam ter enorme ganho de escala ao aplicar-se à engenharia, e que não concorram com a China, nem com as chinas da vida.

Exemplo crasso:

Extrair óleo do pré-sal é mais difícil do que viajar para a Lua. E mais caro. Mas depois que a engenharia para tanto está em pé, o custo por barril extraído é bastante baixo porque há muito “barril” de óleo no pré-sal. Ou seja, eu invisto “pra Dedéu” mas acabo com um baixo custo (US$ 20/barril?) porque a escala é enorme.

Vejo essa lógica funcionar:

1) Para a Petrobras;

2) Para todas as empresas X (estas empresas não vão quebrar, o que vai acontecer é que o Eike não vai ser mais dono delas);

3) Para as pequenas, das Bardellas às Inepares, passando pela Duratex;

4) Para a HRT? Não sei. Haja paciência para uma start-up em um pais que está finishing-down;

5) Para mining & steel? Não sei. Me preocupo com a concorrência da China e com a já estabelecida competência da Vale (a Vale é um oásis de competência se comparada à Petrobras);

Concessão rodoviária não é o que chamo de empresa de engenharia. É o que chamo de concessão rodoviária.

(Ou, temos que escolher uma empresa de engenharia que – ao investir – não gere inflação na veia. Au contraire, que gere eficiência).

(O maior gestor do Brasil, que todos sabem quem é, me disse que gosta da idéia de investir em ações de indústria porque você aumenta o número de turnos ou melhora o layout das máquinas e dobra faturamento, sem grandes investimentos. Essa é a idéia).

Então, se trilharmos com competência esse único caminho que nos resta, poderemos ver um “Ibovespa industrial” saltar de 47.000 para 250.000 pontos.

É o que resta para o momento.


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