Sexto Congresso Value Investing Brasil

Imprimir
Categoria: Artigos
Criado em Segunda, 24 Junho 2013 Escrito por Lucas Amorim

Fonte: leamm do fórum ADVFN

Caro jbegood e demais interessados,

Vou postar como combinado o q foi comentado no 6o congresso value investing brasil que terminou ontem no final da tarde. Achei o congresso muito interessante, ppl/ as 2 sessões chamadas: "investment picks" onde nenhuma das ações mais comentadas nesse fórum figuraram. O que foi ótimo pois há uma possível contribuição para a carteira depois da devida análise das recomendações.



1a palestra: "Macro Brasil juros e câmbio" (Luiz Fernando Figueiredo). Iniciou a palestra fazendo uma avaliação da economia mundial onde as economias estão sob efeito de muitos estímulos e mesmo assim há pouco crescimento. Que os EUA estão em melhor situação mas a dívida pública dobrou e como isso evoluirá vai depender de muito tato daqui para frente para não afetar o processo de recuperação. Não vê boas perspectivas para a Europa no curto prazo porque diferente do q ocorreu nos EUA onde o governo assumiu as dívidas e liberou muito dinheiro para q os bancos voltassem a emprestar na europa há a promessa de que haverá atuação onde necessária se necessário mas a desalavancagem dos bancos será muito lenta e portanto a capacidade dos mesmos em estimular a economia é limitada. Acredita ainda em volatilidade para desalavancagem dos bancos e governos. Vê o Brasil com bons fundamentos (divida pública, reservas internacionais, baixa alavancagem financeira e contas externas saudáveis - não considera a deterioração recente preocupante e que a queda do IOF deve ajudar na entrada lenta e de grande volume de dólares). Citou como problemas estruturais o custo tributário, a infraestrutura (acredita que isso deve ser um importante catalisador para a melhor performance na relação investimento/consumo caso os projetos saiam do papel) e também se preocupa com o alto índice de indexação da economia o que dificulta o controle inflacionário. Vê com preocupação o atual desequilíbrio onde a demanda é maior que a oferta e acredita que as medidas tomadas estão de acordo com a necessidade de lenta redução do consumo e aumento nos investimentos para corrigir o desequilíbrio. Acha que agora o governo está tomando a atitude certa com relação a inflação pois antes estavam combatendo a inflação (apenas o número) e não o processo inflacionário - passaram de tentar controlar preços (ex: energia elétrica e melhorar o número final) a combater o processo (ex: aumento da Selic). A ata do copom deixou claro q o processo de aumento da Taxa Selic vai se manter e acredita que irá aumentar entre 150 e 200 pontos base. Não acha que vale a pena ainda comprar ativos indexados a inflação (apesar da queda recente). Acredita que o governo terá sucesso nas suas medidas mas tem que haver sucesso nas concessões (infraestrutura) há riscos no processo ligado a economia global e o BC deve continuar firme (o que deve acontecer a despeito das eleições pelas sinalizações como as presentes na ata). Acha que o Brasil vai crescer pouco nos próximos 2-3 anos - cerca de 2-3% até ajustar a questão dos investimentos pois o modelo consumo já está esgotado. Dentre os riscos também refere a possibilidade de maior intervencionismo mas não acredita e em queda no preço das commodities (acha provável queda das commodities metálicas e tem dúvidas qto a queda das agrícolas). Quanto ao dólar referiu que se subir lá fora vai continuar subindo aqui mas o gov deve suavizar a alta, caso ela ocorra, até a inflação ficar controlada pq ela pode ser muito prejudicial ao controle inflacionário.

A segunda palestra no VIB foi sobre macro global (Dylan Grice) que falou sobre a impressão do dinheiro gerando de inflação e a perda de poder de renda particularmente das camadas mais pobres aumentando a diferença entre a parcela abastada e desfavorecida. Também falou sobre a inflação e a bolha gerada pelo credito. Referiu que a bolha de crédito da China vai estourar (obviamente não disse quando) e que a provisão que as instituições financeiras fazem é extremamente baixa. Falou sobre o endividamento dos países ricos e que a dívida total é muito maior em relação ao PIB quando são considerados fundos de pensão e outras dívidas. Referiu que os investimentos livres de risco estão historicamente pagando muito pouco sendo que o risco está maior. Questionou: "quem disse que são livres de risco?". Acha que veremos mais "jogos" com o dinheiro que devem sustentar essa discrepância pela falta de alternativas politicamente não suicídas para os políticos que estão no poder. Acredita que apenas quando aparecer uma crise mais aguda a população apoiará as devidas mudanças. Como não encontra bons investimentos nos EUA e europa no momento sugere investimento em ouro - escreveu matéria publicada no valor econômico a respeito.

A terceira palestra foi: modelagem de investimento - uma visão crítica dos instrumentos atuais (Pedro Luiz Cerize). Boa palestra apontou problemas nas diversas formas de avaliação e concluiu que tem que conhecer bem os métodos (eu não conheço então não me sinto bem em colocar algumas observações sobre um ou outro exemplo que ele deu) e que usa-los envolve bom senso e é para se ter uma idéia do valor do ativo. Sugere cogitar cenários diversos (otimista/pessimista).
Também sugeriu cuidado com empresas quando grande parte do valor justo final depender do crescimento da empresa, com as empresas que sempre tem ítens não recorrentes negativos (talvez reflitam má fé do gestor). Acabou falando sobre o esgotamento do consumo e que o setor de infraestrutura e manufatura podem ser impulsionados. Acredita em um grande aumento na produção do petróleo nos próximos 5 a 10 anos.

A quarta palestra foi investment picks (cada palestrante nesse módulo podia dar duas sugestões e defender as sugestões rapidamente.

Breno Guerbatin (studio investimentos)

1o Equatorial - Adquiriu a CELPA (parte do grupo REDE) e deve melhorar a empresa operacionalmente como já fez com a CEMAR. Acham que os resultados já estão aparecendo mas que só devem ficar claros apartir do 04T13. Referiu ver a empresa hoje rodando com uma TIR de 10,5% enquanto os pares tem cerca de metade desse valor. Além da melhora que já esperam há a possibilidade da compra de outros ativos do grupo rede e talvez dos ativos de distribuição da eletrobrás. Acham que o ativo pode subir 50% e que é um ativo menos dependente do PIB.

2o BB seguridade - melhor parte do BB, vendido pela necessidade de capital a um valor inferior ao valor do ativo considerando que o mesmo deve crescer 15 a 20% ano nos próximos 5 a 10 anos. Acham que o banco será capaz de vender tais seguros para seus clientes e hoje a base de clientes do BB com esses seguros é de apenas 7%.

Durante as discussões citou que os bancos estão baratos e que o Itaú é uma boa aposta pela reversão de despesas de PDD ainda esse ano.

O segundo palestrante da sessão investment picks foi Flávio Sznajder da Bogari Capital

Sugeriu:

1) Rodobens: Disse que as melhores empresas como Eztec e helbor estão bem precificadas e buscaram no setor imobiliário uma posição com alto potencial. Referiu o erro feito no passado (mudança de foco e alavancagem excessiva) e que o retorno ao seu nicho, a desalavancagem e a credibilidade que os controladores passaram ao injetar dinheiro no momento crítico a credenciaram. A empresa já está pagando bons dividendos, deve lançar 1,2b de vgv esse ano e que a rentabilidade da empresa em condições normais deve ser de 15%. Apesar de já ter no fundo há algum tempo o preço continua muito atraente frente o potencial de valorização. Considera um bom investimento aquele com potencial de dobrar de valor em 3 anos.

2) BHG hotéis: Acha o negócio de hotéis muito bom e bem administrado mas que a compra de 2 ativos grandes e que não geram receitas apenas despesas dificultou a avaliação do negócio vigente. Os ativos que não traziam receitas correspondem a 7km de praias no nordeste e a rede Sofitel em recuperação judicial - comprada por um bom preço. Referiu ser um negócio que demanda escala e que o BHG está ganhando escala e que isso vai se traduzir em EBITDA. Acha que o negócio hoteleiro é muito robusto e que vai passar por esse problema e que tem também alto potencial de retorno. Não entendi muito bem mas parece haver um impasse judicial qto ao Sofitel.

Referiu acreditar e ter equatorial e bb seguridade em carteira

3o palestrante - Ralph Gustavo Rosenberg (Perfin Investimentos)

Sugeriu:

CETIP - acha que os riscos potenciais deixaram as cotações em patamares que justificam a compra. Dentre os riscos citou a possível concorrência com a BMF mas acredita que esse risco diminuiu pois os produtos vendidos aos bancos se tornou bastante sofisticado dificultando a entrada de concorrentes e que se a entrada ocorrer os efeitos serão limitados. Acredita na melhora do financiamento dos veículos usados (unidade impactada recentemente e que esperam que se recupere). Tem vários projetos em andamento que devem acrescentar valor (Cetip traders, CCP, projeto com bolsa na Alemanha, Real state com uma empresa americana) mas acreditam na empresa mesmo sem os projetos. Referiu a dificuldade na relação com os DETRANS mas que há medidas judiciais para manter o modelo vigente. Acreditam em um grande caixa livre ano que vem (esse ano a empresa está pagando uma dívida alta) e em bons dividendos. Que os projetos tem baixo Capex e que muito do Ebitda (50%) vira caixa.

TECNISA - Após parcerias problemáticas em sua grande maioria resolvidas houve retorno ao nicho em que a empresa sabe operar, média e alta renda. Os estouros do passado já estão nos resultados desse ano. Deve lançar de 1,5 a 2b de VGV por ano e está pronta para isso. Ótimo projeto de 5b em São Paulo (70% tecnisa e 30% votorantim e PDG) com margem bruta superior a 60% que será lançado em fases sendo 1,8b nesse ano. Ainda há muita alavancagem mas ppl/ em SFH mas que haverá muita entrega em 2013 e 14. Esperam alta geração de caixa nos próximos 2-3 anos.

Continuando,

Fábio Alperowitch falou sobre o tema: investindo em small caps

A palestra foi como eles investem em small caps e não indicações. Comentou que investir q em small caps é olhar para o que os outros não estão olhando e que isso faz com que o período para retorno esperado seja frequentemente muito longo. É comum anos de retorno pífio para posteriormente ocorrer um retorno explosivo (mostrou exemplo de guararapes, ptbl e mdia). "É mais fácil achar valor no desconhecido e não onde todo mundo está olhando". Buscam por mudanças setoriais e de empresas que não durem 2/3 trimestres mas que sejam duradouras, fundamentadas. Analisam profundamente as empresas e oouco alteram o portifólio pois são projetos que demoram para amadurecer e ter o seu valor reconhecido. NÃO TEM MAIS MDIA3 mas torcem todo dia para o preço da ação cair para voltar a comprar. Disse que PTBL ainda vale 4x EBITDA e que a empresa ainda tem muito chão pela frente. Estão otimistas, acham que tem muita coisa barata (não citou especificamente o q mas falou que os bancos estão baratos) e q espera uma recuperação rápida da economia de forma que estão com pouco caixa e as vezes vendem uma posição ou parte para comprar outro negócio mais atrativo. Referiu que a inflação já está caindo na margem e que as empresas já estão mais conscientes qto ao custo dos produtos vendidos. Luiz Fernando Figueiredo (Mauá Sekular) tb está relativamente otimista em relação ao Brasil e Pedro Luiz Cerize (Skopos) falou que em termos de política econômica o governo vem pirando o Brasil desde 2005 e de um ano para cá vem tomando as atitudes certas. Esses 3 me pareceram mais otimistas com as medidas que vem sendo tomadas.

Carlos Simas (Dynamo Capital)

tema: Gestão de investimentos no exterior

Comparou o setor de consumo com o do Brasil e que aqui as empresas estão mais caras - calcula uma TIR média acima da inflação de 6% para tais empresas no exterior e 3% no Brasil. Acham que o mercado na Europa para as empresas é menos competitivo que no Brasil e nos EUA. Referiu que o número de empresas é muito maior mas que em alguns casos é impossível conhecer toda a empresa pela dimensão dos negócios o que envolve o número de países em que estão inseridas e as particularidades de cada país de forma que é importante focar no poder do negócio da empresa. Entrou em um caso específico da carteira deles (Cervejaria Carlsberg) e entrou em vários detalhes do caso (participação nos diversos mercados em que atua focando tanto receita qto retorno dentre outros) para mostrar como investem e pq acreditam no caso. Acham que conseguem 10% real ao ano com a carteira que tem. Não tem posições superiores a 10% na carteira e qdo isso ocorre é excepcional e transitório.

O último painel foi novamente Investment picks mais 3 participantes mas cada um pode passar apenas uma sugestão.

Nessa sessões os primeiros 02 palestrantes referiram dificuldade de achar hoje no mercado barganhas.

Alexandre Grzybowski da Guepardo sugeriu JSL (júlio Simões Logística). 
- A empresa tem a agilidade de um pequeno negócio mas tem escala para comprar caminhões, carretas e combustível a um bom preço. Hoje compra 2,5% dos caminhões vendidos no Brasil, é uma empresa de ativos e não asset light.
- Falou que o setor de logística está em alta.
- Disse que não é apenas só uma empresa de transporte, já foi mas hoje ela agrega valor via serviços e que assim consegue fidelização e boa projeção de receitas.
- Pode se relacionar a várias etapas da vida da empresa (tx de funcionários, peças, produtos finais...)
- Espera muito crescimento da empresa, que os números atuais estão poluídos por crescimento que ainda não gera retorno mas gera custo. Hoje o ROIC é de 7,5% mas se a parte não operacional fosse expurgada seria de 12,5%.
- A dívida da empresa é muito barata e que faz sentido permanecer alavancada se há perspectiva de crescimento.
- Não estão muito preocupados com a mudança no perfil de transporte no Brasil (para ferroviário por exemplo) pq há muito tempo se fala nisso e nada se fez então não espera que isso ocorra agora.
- Acha que em um cenário pessimista com a maturação dos investimentos atuais o valor justo gira próximo do atual e que no cenário esperado (com maturação dos projetos, crescimento esperado e desalavancagem - caso faça sentido se desalavancar considernado o baixo custo da dívida) o valor pode se multiplicar algumas vezes.

Bruno Barreto (Investidor profissional)

Outro que comentou sobre a dificuldade de encontrar bons negócios para compra hoje no Brasil.

Sugeriu a BDR da Cisco

- Gigante no mundo das telecomunicações com foco em TI
- Marca extremamente respeitada ("Ninguém é despedido por comprar Cisco")
- Receita pode ser grosseiramente dividida em 3 partes (1/3 roteadores e switches, 1/3 produtos correlatos como produtos para teleconferências, firewalls e softwares e 1/3 Serviços com consultorias para grandes empresas.
- É uma empresa que vive constantemente se defendendo da concorrência. Tem alta participação de mercado em todos os setores que atua, compra empresas com boa tecnologia e que agrega valor aos seus produtos, oferecem todo o serviço que as empresas precisam como rede, software e segurança de maneira que o comprador não precisa de preocupar com compatibilidade.
- Houve queda na margem bruta de longo prazo de 68-69% para 61% compensada pela melhora operacional
- Disse ser a espinha dorsal da internet nos EUA e que se beneficia com a explosão do tráfego da internet; hoje o volume de tráfego é gigante pelo introdução do netflix e da criação de novos aparelhos que se conectam a internet e isso deve aumentar.
- É uma empresa que cresce mas que consegue distribuir dividendos e comparar suas ações. Em 10 anos a receita subiu 150%, o lucro líquido 3x, a geração de caixa mais que 3x e recomprou no período 27% das ações em circulação de maneira que o LPA subiu de U$ 0,5 para 2,00 nesse período. ROE sempre beirando os 20% ou acima, agora 18-19% mas tem 31-32 bilhoes de dólares em caixa que se tirados jogam o ROE para cima.
- É uma forma de se expor ao dólar.

Isabella Saboya (Jardim Botânico)

Fleury

- Conseguiu criar uma marca nacional (laboratório A+)
- Marca muito conceituada no mercado
- Acreditam no negócio, no fundamento do setor de saúde no Brasil no longo prazo (melhora da renda e maior penetração dos planos privados de saúde na população)
- Muito investimento em 2011 e 2012 com abertura de muitas unidades que levam tempo para maturar (cerca de 18 meses). 
- Comprou recentemente a Labs no RJ) e está integrando a operação em julho.
- Acreditam que a margem EBITDA chegue lá na frente em uns 24%
- Preço das ações sofreram recentemente pois anunciaram um Capex alto esse ano e um dos sócios faleceu e houve venda das ações, ainda espera uma pressão vendedora de 2% de alguém que está saíndo (não entendi o que são esses 2%, talvez do número total de ações da empresa que essa pessoa detém).
- Vê como um negócio que cresce bem (ano passado PIB subiu cerca de 1%, planos de saúde 2% e Fleury cerca de 7%)
- Sofre menor intervenção por parte das agências regulatórias mas claro que há pressão dos planos e que se eles forem muito pressionados isso pode afetar a FLRY. Todavia no ano passado conseguiram repassar a inflação diferentemente dos demais laboratórios porque a marca FLRY faz diferença na negociação na hora da venda dos planos de saúde.
- Acredita que em um cenário pessimista há downside de 25%, cenário provável ganho de 33% e se tudo der certo upside de 50%.

É isso! No geral achei o Flávio Sznajder e o Breno Guerbatin bastante confiantes nos negócios que propuseram. Ninguem disse qual será o novo setor mas uns 3 palestrantes citaram infraestrutura. O Pedro Luiz Cerize falou do petróleo e que a exportação deve atingir números realmente muito altos nos próximos 5 a 8 anos o que devem impactar a balança comercial. Alguém falou que odonto prev está caro (não lembro quem mas sei que alguns tem posição no ativo então achei melhor comentar).

 


Smileys

:confused::cool::cry::laugh::lol::normal::blush::rolleyes::sad::shocked::sick::sleeping::smile::surprised::tongue::unsure::whistle::wink:

 1000 Characters left

Antispam Refresh image Case insensitive

Copyright 2011. Joomla 1.7 templates try out productie boltari beton. Custom text here