Valor do cobre

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Categoria: Artigos
Criado em Terça, 17 Janeiro 2012 Escrito por Lucas Amorim

Por Valor, dezembro 7th, 2011, 9:49

Em pouco mais de cinco anos o mundo começará a viver uma constante escassez de cobre. A crescente falta do metal tende a se repetir ano após ano, ao menos nas próximas duas décadas. Fundamental para o desenvolvimento da infraestrutura dos países, a commodity traz consigo projeções que têm alertado os investidores e influenciado as estratégias das principais empresas de atuação global.

Segundo as projeções da CRU International, consultoria global do setor de mineração, a partir de 2017/2018 a demanda mundial de cobre vai superar de vez a oferta do metal. As estimativas consideram todos os novos projetos já anunciados e não são alteradas diante da crise na Europa e nos EUA, grandes consumidores do metal. Independentemente do cenário no mundo desenvolvido, os analistas acreditam na sustentação da procura pelo cobre por parte dos mercados emergentes.

E esse cenário futuro já começa a ser traçado agora. Dados do Grupo Internacional de Estudos do Cobre (ICSG, na sigla em inglês) mostram que a capacidade de produção no período de 2011 a 2014 deve crescer a uma taxa de 4,9% ao ano. Isso vai fazer com que já em 2011 o mercado global apresente déficit de 200 mil toneladas métricas. Em 2012, o déficit deve chegar a 250 mil toneladas métricas. Em 2013, o mercado deve ficar equilibrado, com a entrada de novas capacidades, mas a partir de 2014, a oferta volta a ficar apertada.

“Já esta acontecendo. Já estamos alcançando um estágio de pressão sobre o cobre, que está refletindo muito nos preços e na confiança do mercado”, afirmou o sócio da consultoria Price waterhouseCoopers no Chile, Colin Becker.

Esse cenário está ocupando o centro das atenções das grandes companhias do setor, que têm de traçar planos estratégicos para se beneficiar do potencial de alta nos preços e investir na prospecção e exploração econômica do metal, para que a escassez não seja uma ameaça aos negócios e à competitividade.

As gigantes do setor divulgaram no ano passado declínio na produção de cobre, na comparação com 2009, mesmo com uma valorização de mais de 40% nos preços médios da commodity. Segundo levantamento da consultoria Ernst & Young, dentre as dez maiores empresas do mundo, a Rio Tinto foi a que sofreu pior recuo na produção: de 16%, seguida da Anglo American, com declínio de 7%. O relatório anual de produção da Vale, por outro lado, mostra que a empresa brasileira produziu 207 milhões de toneladas de cobre no ano passado, crescimento de 4,4%.

A principal pressão sobre a produção global do cobre tem sido a queda do teor do metal (grau de pureza), diante da maturidade das minas já existentes. “Nosso teor vem caindo, mas nada em ponto crítico. Assim, nossa produção cresce”, afirmou o diretor executivo de vendas e estratégia da Vale, José Carlos Martins. A empresa tem a maior operação de cobre do país, a Mina do Sossego, no Pará, que começou a produzir em 2004. No Canadá - Subbury e Voisey´s Bay - a brasileira recupera cobre em conjunto com as operações de níquel. Há ainda as operações de cobre no Chile, na unidade de Tres Valles. Ao todo, hoje a produção da Vale é de cerca de 330 mil toneladas métricas. Mas a meta da empresa é atingir 1 milhão de toneladas por ano a partir de 2015.

“Nós acreditamos que, entre os metais, o cobre é um dos que tem uma estrutura de oferta e demanda mais apertada. E esse quadro não deve mudar. Estamos dispostos a colocar mais recursos no segmento”, afirmou Martins. Na tentativa de aumentar a produção mundial, em julho, a Vale tentou comprar a Metorex, mineradora de cobre e cobalto no Congo, mas perdeu a disputa para a chinesa Jinchuan. Mesmo assim, o crescimento inorgânico não saiu dos planos da empresa. “Nossa meta é flexível em relação ao preço. Mas é possível, já que podemos realizar ainda aquisições e associações com empresas”, completou o executivo.

A estratégia da Vale envolve colocar novos projetos no mercado, principalmente no momento em que a oferta global do metal estiver sofrendo forte pressão. A empresa está desenvolvendo quatro novos investimentos - no Brasil, na Zâmbia, na África, e no Canadá. Os projetos brasileiros são os maiores, mas já começaram a sofrer revisões e atrasos. Salobo - de capacidade nominal de 520 mil toneladas de concentrado de cobre - tinha início previsto para este semestre, mas foi adiado para 2012, por problemas na “disponibilidade de equipamentos, mão de obra e engenharia”, segundo Martins.

Outro grande projeto prestes a entrar em operação nos próximos anos (que deve desafogar a oferta) é o de Oyu Tolgoi, na Mongólia, onde a mineradora anglo-australiana Rio Tinto detém participação. Com início da produção previsto para agosto de 2012, sua produção anual está estimada em cerca de 450 mil toneladas de cobre. “Esperamos que esse projeto permita uma oferta adicional no longo prazo do cobre no mercado”, afirmou a empresa, em nota enviada ao Valor. Os dados de oferta do metal da companhia não são mais animadores. Para 2012, a produção da multinacional será menor do que o estimado, diante de queda no teor do cobre nas minas Escondida (no Chile) e de Kennecott (nos EUA). “A oferta de cobre no mundo é uma situação desafiadora”, completou a empresa.

Outra mineradora exposta à queda na produção é a britânica Anglo American. Em 2010, a produção de cobre da companhia totalizou 623,3 mil toneladas, sendo que em 2009 somava 669,8 mil toneladas. As operações da maior mina da empresa no Chile, Collahuasi - uma joint venture com a Xstrata -, têm sido prejudicada também pela queda no teor do metal. A mina é a quarta maior do mundo e representa um terço do total de cobre produzido pela empresa no país. Além disso, a companhia anunciou, em conjunto com a Rio Tinto, intenção de vender sua participação em uma das maiores produtoras de cobre da África do Sul, cuja mina Palabora aproxima-se do esgotamento, depois de mais de 50 anos de operação.

Para melhorar seu posicionamento no mercado global, a Anglo American investiu para mais do que duplicar a produção de Los Bronces, próximo à capital chilena de Santiago, adicionando à oferta global 221 mil toneladas de cobre por ano. O projeto entrou em operação em novembro.

“Há alguns novos projetos, mas estão sempre sujeitos a atrasos. Está cada vez mais difícil a exploração do cobre, o que significa aumento dos custos e, consequentemente, desincentivos às empresas no desenvolvimento de novas entradas”, afirmou diretor executivo responsável por mineração da Ernst & Young, Alexandre Rangel. Cabe às empresas, portanto, se valer dos altos preços e desenhar estratégias para a ampliação da oferta, sem ferir o quadro de custos. Facilidade de exploração e baixos riscos, no entanto, não parecem fazer parte do cenário futuro. “Cobre barato, nunca mais”, enfatizou Rangel.

Fonte: Valor Econômico


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